Aos irmãos católicos

O Santo Padre, o Papa Francisco, não contraria nem a Sagrada Tradição, nem as Sagradas Escrituras, nem o Sagrado Magistério ao alterar o texto do catecismo. Aquele que acredita nisso que aproveite esse momento de elucidação para refletir sobre a sua própria compreensão da fé.
O Texto anterior já era bem claro que a situação justa para o recurso da pena de morte era praticamente inexistente (inclusive esse era o termo utilizado - praticamente inexistente -).
Catolicismo é conhecer o Evangelho da Salvação, que foi anunciado pelo Senhor e, através dos Séculos, pela Igreja. Se esse Evangelho afronta a Direita, a Esquerda, o Centro ou a nós mesmos, não interessa. O que interessa é que o Evangelho deve ser propagado apesar de nossas opiniões.
Em nada a decisão do Santo Padre invalida a Tradição, sobretudo a Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino. Muito pelo contrário, somente a reforça pois a analogia de Santo Tomás se torna mais vívida e perfeita: quando não há alternativa, amputa-se um membro para salvar o corpo. Hoje temos alternativas - e muitas - de manter o membro vivo. Quem amputaria a mão tendo a mais mínima chance de salvá-la?
Não é Tradição da Igreja a "defesa" da Pena de Morte, mas a defesa da justa força que um governante pode exercer para o bem de todos. Pena de morte é um assunto na discussão dessa justa força. A Igreja não está condenando Governantes do passado, mas guiando os do futuro.
Em absolutamente nada a decisão do Santo Padre confronta as Escrituras. O "não matarás" sempre foi muitíssimo mais importante do que o "dai a César o que é de César". "Misericórdia quero", também. Ou é à toa que a Igreja considera obra de Misericórdia a visita aos prisioneiros?
Aqui, que fique muito claro a todos: "bandido bom é bandido morto" nunca foi uma frase católica. Não deveria ser necessário um decreto do Santo Padre para deixar isso claro.
Como feriria o Magistério o ato do Supremo Pastor que é exercido conjuntamente com o próprio Magistério? Sobretudo pois essa não é uma questão dogmática, mas eminentemente pastoral - a redação do Catecismo deve levar em conta o tempo e o lugar -. O Santo Padre não disse que no passado a Igreja errou, ele disse que hoje não cabe a mesma postura do passado, pois a situação é diferente.
E a situação é mesmo diferente, só não enxerga quem não quer. Se hoje o termo "Pessoa Humana" tem em si uma aura sagrada é porque a Igreja o impregnou dessa aura ao longo dos séculos.
De quebra, ao se posicionar dessa forma, nosso Santo Padre mostra que a Igreja deve penetrar no coração de todos, inclusive dos Governantes, e que eles tem limites. Mais ainda: que o Evangelho é a linha perfeita daquilo que é moral para todos.
Vejo muitos irmãos, pela Graça de Deus, inclinarem-se obedientemente ao ensinamento do Santo Padre, mesmo não o compreendendo. Cristo haverá de recompensá-los a todos, não tenham dúvida, pois é pela obediência que curvamos nossa vontade à vontade do Senhor.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo pela Sua bondade e pelos pastores que nos deu. Corajosos como Leões, simples como Pombas.
Autor: Diego Clemente Santiago

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