Churchill e a eugenia


O darwinismo social é o esforço deliberado e pseudocientífico de tentar aplicar leis biológicas no mundo social e cultural. Uma ideologia supremacista nascida na segunda metade do séc. XIX que utiliza conceitos como “luta pela existência” e “sobrevivência dos mais aptos” para justificar medidas políticas que não fazem distinção entre os indivíduos capazes e os incapazes de se sustentar. Por trás do darwinismo social foram postas em prática as ideias de eugenia, racismo, imperialismo, etc.
Quando ministro do Interior (de fevereiro de 1910 a outubro de 1911), Winston Churchill defendeu o confinamento, segregação e esterilização de uma classe de pessoas contemporaneamente descrita como possuindo a "mente fraca". A carta mais significativa que Churchill escreveu em apoio à eugenia – e endereçada ao primeiro-ministro da época – não foi, no entanto, deliberadamente deixada de fora da biografia oficial por Randolph Churchill por razões de constrangimento, mas simplesmente em função de supervisão do historiador Ted Hutchinson. 
Em 1912 Churchill participou da I Conferência de Eugenia Internacional em Londres, e até concordou em se tornar seu vice-Presidente. Presidida pelo filho de Charles Darwin, também marcaram presença no encontro personalidades como Alfred Ploetz (pai da “higiene racial” alemã), Charles Davenport, fundador do Eugenic Record Office) e Alexander Graham Bell (um dos mentores da telefonia).
O historiador lorde Blake assevera que Churchill era racista e que isso refletia a mentalidade eugenista de sua época. Isso é fato, e não a esmo outras personalidades que viveram mais ou menos no mesmo período – tais como Hitler, Theodore Roosevelt, George Bernard Shaw, John Maynard Keynes, Linus Pauling, H.G. Wells, Nikola Tesla, Francis Crick e Helen Keller – também foram influenciados pelo mesmo pensamento. Tal tendência é confirmada por Richard Toye, autor de “Churchill's Empire”: "Um fator atenuante seria que suas ideias não eram muito exclusivas", explica Toye, "embora houvesse muitos outros que não as compartilhassem".
Definitivamente, Churchill acreditava nas hierarquias raciais e na eugenia, disse John Charmley, autor de “Churchill: o fim da glória”. Na visão de Churchill, os cristãos protestantes brancos estavam no topo, acima dos católicos brancos, enquanto os índios estavam acima dos africanos, afirma Charmley. E acrescenta: "Churchill viu a si mesmo e a Grã-Bretanha como vencedores em uma hierarquia darwiniana".
Apesar de ser incondicionalmente antinazista, Churchill também defendia a higiene racial. Se, por um lado, é verdade que “as ideias de Churchill sobre a raça não podem ser comparadas com as ideias homicidas de Hitler sobre a hierarquia racial”, tal como afirma Toye; por outro, o livro "Eminent Churchillians” do historiador Andrew Roberts traz uma série de insultos do ex-premiê britânico contra negros, árabes, indianos, chineses e italianos. Como exemplo, ainda como secretário do Interior, em 1921, Churchill afirmou: "A ideia de que os indígenas do leste da África sejam colocados em igualdade com os europeus é revoltante".
Ademais, é curioso notar que Churchill defendia o controle populacional e a eugenia, as mesmas agendas por trás das ações dos engenheiros sociais que promovem o aborto na atualidade. A diferença, talvez, é que os últimos não se escamoteiam sob um verniz de apologia à democracia conservadora, mas jogam aberto em sua audácia explícita de subversão dos valores em nome do liberalismo prafrentex.

Autor: Daniel de Boni

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